Monday, 6 March 2023

Nenhures

 


Certas vezes, no desconhecimento do tempo, da ilusão

da possibilidade da pragmatização abstracta... da coesão,

penso nas lições que me davam os pensamentos, os sentimentos,

a existência ou o seu conhecimento: sou!

-Torna-se é o que foi, ou o anseio que vibra por um futuro nalgures;


Sou ritmo desarmónico em ouvidos alheios, inerte elo.

Acaricio a distância e o horizonte acolhe-me. Afasto-me da fonte?

Em versos sou livre e faz-se-me senda cada estrofe

cujas entrelinhas descrevem o nada que é então tudo.


Nas mesmas vezes, conheço a vida de cor e sufoca-me o todo

vazio de pensamentos, sentimentos e lições, segreda-me o mistério

que o tempo é sábio mas que a realidade é ilusória,

Que a tristeza é fruto do ritmo desarmónico, e que a treva porta?


E em vezes sem conta não sou! Lembro-me da inexistência

é mudo o seu som, indefinido o seu tom, incolor o seu olhar,

é indetectável a sua vibração, nela não há anseio e nem algures

há é o nada indecifrável pelo mistério.

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