Monday, 6 March 2023

Carnaval

 
Magnífico o dia

estava sinesticamente em harmonia com os raios

do sol de cujo carinho

induziu a consciência daquela flor

a despertar para a realidade deixando para trás

o sono que ainda cria que era noite

reinando um pouco mais sobre a consciência da flor.


Tão calma ainda que crente- a flor abraça o dia,

mergulha na sua beleza em toda sua plenitude,

que continha no seu âmago o amor e seus derivantes;

feito isto a primeira vista aquele coração mal podia

desviar o seu olhar todo tomado pela cegueira;

é inevitável o amor, e o arco

parte de imediato em seu favor penetrando no seu objecto.


Tudo é uma fresta de maravilhas:

há cá viagens -regulares- pelos céus através das nuvens,

metamorfose de cores autónoma,

a areia combinando com o seu traje,

mera cortesia do cupido;


no entanto, porque até para a doce flor

a eternidade sabe a façada despido o tempo da ilusão,

o que era dia tornou-se noite, e o sono então tristonho

partiu...

deixando para trás a doce flor

que desesperada abraça a insónia, evitando assim a dor

-ver sua miragem esvaniando-:
lua coberta de trevas conquistando aquele sol

-seu padrinho ilusório, a beleza em sua plenitude

-é então toda vaidade- dissociada da sua essência, o amor.

era carnaval! a ilusão bem humorada
troçou da flor com antecedência.

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