Monday, 6 March 2023

Espelho meu, espelho meu


O costume não mais rejeita este som encarnado

cujas paredes e sua mestria

ensinaram-me a decifrar o seu embalo

e que esta melodia

é penosamente ignorada pelos surdos

pela sua natureza entorpecida.


Breve vislumbre faz-se-me a porta,

mas bênçãos vem apreçadas, e bem o sabe o ego

que então aconselha a minha curiosidade:

não te inquietes!

Sou mera plenitude,

e nada mais.


Cinza não o sois, não vos “atolanhar”;

é-vos o branco evidência amorosa,

e o negro o reflexo da indiferença.

Outrora, exalaram amor as vossas almas

Tal como então vazias reflectem a indiferença.


Não sois branco e nem preto, mas um inédito sentimento,

reflexo ocasional da imagem do tempo,

eternamente tentando espelhar-se no vosso entranho:

“erguer” e uníssone gritemos: era suposto que me reflectisses

a mim.

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