Tuesday, 29 November 2022

Mísí


Canto poisado sobre o universo,

inaudível encanto ao ouvido teu,

tu! De exacerbada paixão por aquele seria

de distinta efervescência face a da larva

a quem não mais pertence aquele coração

outrora teu que da Mísí

na pura fusão por efervescência,

na analéptica redenção do Cupido

acesas as chamas em desproporção;

 

é-te todo ouvidos o universo, oh Mísí!

sonora a tua canção que eficaz o teu encanto,

serenos os olhos teus que eruditos os teus lábios,

tão dócil a alma tua que perscrutante o seu olhar!

 

É do Cupido que se redime cessando a chama do teu objecto:

és rosa que sangra arrancada a pétala pelo prazer de quem a contempla-.


Serano Manjate

Tagarela

  Então ensurdecida a madrugada,

-desarmónicas as sinfonias de tanto albergar

a exteriorização do entranho deste coração cujo apazíguo

é um conto fossilizado no íntimo do esquecimento-,

 

encolhidas as flores dissociando-se do fascínio,

de tanto em sí poisarem ecos dos gemidos da amargura

dum eremitério desvinculado do tempo que do espaço

roçando uma existência audível a madrugada,

colorida para as telas, abrangem-te para as flores,


Sangra o coração no abraço do vento pela dor

pintando a plenitude então ofuscado o prazer existencial:

-enceguecidos os olhos humanos pelo incessante que sem dimensão-.  



Serano Manjate

 

 

 

 

 

 

Indiferença

Marfim reluzindo, gesto involuntário

na ignorância do desejo insinuando-se

que da inexistência possibilidade de tal materialização;

 

horizonte livre da atrelagem das expectativas

da esperança nunca invocada, da luz desnecessária,

sem este nem aquele maldizer das trevas,

sem o primórdio da lucidez;

senda que preguiça enamorando a mesma virtude

no cristalino intento de do todo abraçar o nada

que ir navegando vaidosamente pelos territórios da vagueza.

 

 

 

 

Serano Manjate

Imensidão

Oh tu que vagueias, bússola o vento

-no teu âmago as lágrimas da alga

errantes de encontro ao vento

tomada de palco daquele evento

testemunhado pelos feixes, luares que solares

que muitas vezes o alicerce do sorriso crepuscular-,

 

-no exterior aquela onda

que se destroe que se edifica

sustentando a sua existência

atendo-se ao movimento que a define:

de toda a parte, da parte o todo

que do resto a essência, da essência o cerne-,

 

vês estas terras infinitas, que areias movediças?

Por elas toma-te um pensamento

Do tamanho do teu espanto,

Que é lindo o universo

Tu um ornamento sem dimensão.

 

 

Serano Manjate

 

Paixão


Briza guiando as nuvens

ruma para o horizonte a vastidão,

no percurso a liberdade

que aquele canto indispensável para pássaro,

fusão de seres absolvidos

pelo fascínio ornamento da senda

radiante glamour reflectido pela eternemeferidade.

 

Sonhos entrelaçados que destino risonho,

esverdeados os corações da eternidade reluzente

na navegação àquele instante vivido em estabilidade

materializando o desejo nunca consciencializado ante a plenitude.


Serano Manjate

Vislumbre


Na inefabilidade do todo que das partes ante ao nada

então ausente a treva que a luz,

alheio ao tempo que ao espaço

absurdo o verbo na impotência inerente

a concepção per se nada a postos,

de subido, é leal a sensação a briza,

calma a maré, reluzentes os astros

pleno o universo que cônscia a tua existência!

 

Manso o tempo que o espaço

atrelam-se ao horizonte que em graduação

abraçam na prevalência da impotência.

 

Serano Manjate

A dor do cupido

 

Era para ser calma esta maré, briza esta intempérie,

acorrentado a humanidade

sou apenas anjo no reflexo das lágrimas do cupido;

de mãos dadas voejamos,

um sólido pacto com a eternidade,

tão livres, tão envolvidos…

 

se fosses Deus, se Deus fosses

oh, cupido! Era calma a maré

que briza esta intempérie,

que fazemos nós sem o teu pó?

Arco que flecha não são de longe o verbo!

Sendo que anjos não tem sexo

Que é feito dela se me complementa?

 

Sou humana que vivo um sonho

vívidas fábulas na eternidade risonha

de mãos dadas voejamos,

tão livres, tão envolvidos.


Serano Manjate

Agonia

 

Lágrima poisadas sobre a vastidão,

reflexo da chuva de verão,

decora o todo de tristeza vinda a empatia

que a terra gira que é sincrónico o escorrimento;

 

roça então a razão a maturidade

nem todo brilho é fascínio aos olhos teus,

és tão distante da solidão que sorris

sem o pulsar assaltante do teu nobre coração.

 

A corrente é fiel ao seu rumo

o horizonte é adiante ante a humanidade’

-natureza do dogma ante ao verbo divino-

na hipótese da diversificação crê-se no fim em evidência

padronizando o encanto do brilho da lua que do sol

a magnificência do aroma da pétala que primavera.


Serano Manjate